Processo cultiva recife de corais com eletricidade

 

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A cada ano a quantidade de recifes de corais no mundo está diminuindo a uma taxa alarmante. A rede mundial que monitora os recifes de corais do mundo estima que mais de um quarto dos corais desapareceram nessas últimas décadas e que pelo menos outro quarto morrerá nos próximos vinte anos. Entretanto, uma nova tecnologia chamada Biorock pode ser a chave para salvar os recifes de corais da extinção.

Há várias causas para a morte de corais no mundo, que incluem pescarias com redes, poluição nos oceanos, aumento na taxa de dióxido de carbono dissolvido na água. Mas a principal ameaça é o aumento da temperatura nos oceanos. Com o aumento da temperatura, as algas que habitam a superfície dos corais morrem, expondo em seu substrato carbonato de cálcio. Isso é comumente chamado de branqueamento de corais. Esse branqueamento, causado pelo carbonato, faz com que os corais não resistam a poluição e morram. Casos de diminuição em massa de corais ocorreram no Oceano Índico em 1998 e no sul do Pacífico em 2002, ambos os casos pelo branqueamento.

Na tentativa de diminuir as perdas de corais no mundo, recifes artificiais foram construídos desde 1950, com materiais simples, variando desde blocos de concreto até pneus velhos. No entanto, a maioria desses planos não deram certo, pois se comparados aos recifes reais, os artificiais são considerados áridos. Uma exceção a esses fatos são os trabalhos do biólogo marinho Thomas Goreau e o engenheiro e arquiteto Wolf Hilbertz. Eles desenvolveram um novo tipo de recife artificial que está em funcionamento há mais de uma década.

A tecnologia, que usa a elegância em sua simplicidade, se chama Biorock. Ela surgiu de experimentos feitos na década de 70, quando Hilbertz estudava o crescimento das conchas e recifes através de corrente elétrica conduzida na água do mar. O cientista descobriu que com a eletrólise da água do mar o carbonato de cálcio se concentra no cátodo, formando no elétrodo uma camada tão forte quanto um bloco de concreto. Experiências mais tarde mostraram que a espessura dessa camada poderia crescer até 5 cm no ano. Enquanto a corrente elétrica estiver fluindo, a estrutura continua crescendo e se torna cada vez mais forte com o tempo. A estrutura também pode se “cicatrizar” caso ela seja prejudicada. Nos recifes artificiais de concreto, por exemplo, isso é impossível.

O plano original de Hilbertz era usar a tecnologia em países em desenvolvimento para gerar o crescimento das estruturas a baixo custo. No entanto, seu foco mudou após conhecer o biólogo marinho. O processo do Biorock utiliza materiais simples. As formas dos eletrodos podem ser contruídos em diferentes formatos, com a finalidade de imitar os recifes naturais. De fato, a camada de carbonato de cálcio é tão parecida com o substrato de um recife que os corais não sentem a diferença, ou seja, eles não conseguem distinguir a diferença de um recife natural com o habitat criado pelo Biorock. Outros experimentos foram feitos no intuito de provar que a corrente elétrica não prejudicaria os corais. O resultado dessas pesquisas foram surpreendentes: os corais, na verdade, se desenvolveram em recifes eletrificados.

Baseados nesses resutados, os cientistas perceberam que os corais no Biorock são mais resistentes a ameaças do que em ambientes naturais. Os corais também poderão desviar a energia que seria necessária para a defesa e usá-la para o crescimento e reprodução. Outra vantagem é que o crescimento dos corais no Biorock é capaz de ser de 3 a 4 vezes mais rápido que um recife natural, sendo capaz também de ter resistido ao desastre do branqueamento em 1998.

Os recifes Biorock podem ser construídos de qualquer forma e tamanho, mas a maioria deles até agora foram construídos em forma de abóbada, tendo em média 12 metros de diâmetro. A quantidade de energia elétrica utilizada pelo Biorock é pequena, utilizando cerca de 3 watts por metro quadrado. Até agora, os recifes captam a energia de painéis solares, mas outras fontes energéticas são possíveis como turbinas colocadas deixado dágua, geradores de ondas, plataformas que convertem a energia térmica dos oceanos em energia elétrica (OTEC).

Enquanto o foco dos pesquisadores é preservar e restaurar os recifes de corais do planeta, existe a possibilidade de que um dia o sonho de Hilbertz seja realizado e ilhas flutuantes sejam criadas usando a Biorock.

 

Traduzido por Emanuel Valente – aluno da UAB – UFSCar

Fonte: http://www.greengeek.ca/

Página do projeto Biorock: http://www.biorock.net/Technologies/index.html

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